Há um lugar pouco conhecido em Itália que parece saído de um filme de ficção científica. Uma arquitetura brutalista, suspensa entre o sonho e a experimentação, nascida para quebrar as regras e imaginar uma nova forma de viver o espaço. É um lugar que intriga, divide e surpreende quem o descobre. Estamos a falar da Casa Experimental concebida por Giuseppe Perugini, uma obra única que continua a atrair arquitectos, curiosos e viajantes em busca de lugares insólitos.
A família Perugini e um terreno em Fregene
Tudo começou na década de 1960, quando o arquiteto Giuseppe Perugini, juntamente com a sua mulher Uga De Plaisant (também arquiteta) e o seu filho Raynaldo, decidiram comprar um terreno numa estância balnear não muito longe de Roma que estava a tornar-se muito popular: Fregene. A ideia não era construir uma casa de praia clássica, mas experimentar uma nova linguagem arquitetónica, livre de esquemas.
Assim, a família Perugini transformou aquele terreno imerso no pinhal numa verdadeira oficina ao ar livre, um estaleiro vivo e mutável.
Três edifícios: a Casa, a Bola e os Cubos

O complexo modernista é composto por três corpos distintos e visionários. A Casa principal, suspensa sobre pilares, joga com sólidos e vazios, com paredes de betão rugosas e grandes superfícies de vidro que criam um diálogo entre o interior e o exterior. A Bola, uma grande esfera de betão, faz lembrar um módulo espacial aterrado entre as árvores. Por fim, há os Cubos, pequenos volumes geométricos que completam o complexo como salas autónomas.
A utilização de betão aparente, formas puras e cores neutras acentua o carácter brutalista e experimental do projeto.
Arquitetura ambiciosa e futurista em Fregene
Mas o verdadeiro coração da Casa Experimental é a ideia de uma casa na árvore contemporânea: uma habitação suspensa, quase a flutuar entre os pinheiros marítimos de Fregene. Perugini imaginou um espaço que se desprendesse do solo para restabelecer uma relação direta com a natureza. Cada elemento, desde os passadiços suspensos até às escadas exteriores, foi concebido para criar uma experiência e não apenas um espaço de habitação.
A Casa da Árvore não era apenas um abrigo, mas uma forma de questionar o significado de viver e a possibilidade de viver em harmonia com o ambiente.
O local de construção perpétuo: uma casa concetual e visionária
Um dos aspectos mais fascinantes deste projeto arquitetónico é o facto de a Casa Experimental nunca ter sido “terminada” no sentido tradicional. Perugini concebeu-a como um estaleiro perpétuo, um organismo em contínua evolução, aberto a modificações e acrescentos. Não era um projeto estático, mas uma experiência viva que desafiava a lógica da conclusão perene.
É precisamente a sua natureza inacabada que faz dela uma arquitetura concetual, uma espécie de manifesto tridimensional das possibilidades do pensamento criativo.
Como visitar a Casa Experimental

Nos últimos anos, a Casa Experimental foi excecionalmente aberta ao público graças à Open House Roma, que organizou visitas especiais comissariadas pelo Prof. Raynaldo Perugini, filho de Giuseppe e Uga e coautor da obra. Estas visitas marcaram o início de uma nova fase de valorização, permitindo que centenas de visitantes descobrissem a história e o significado da Casa Albero diretamente da voz daqueles que a criaram.
Atualmente, porém, a Casa da Árvore encontra-se desabitada e à espera de restauro, suspensa entre o risco de abandono e a esperança de recuperação.
No futuro, poderá ser transformada num centro cultural, num museu de arquitetura experimental ou num atelier para artistas.
Como lá chegar
Se está a pensar onde encontrar esta joia escondida, a resposta é simples: a Casa Experimental está localizada em Fregene, na província de Roma, a poucos passos do mar e imersa no pinhal. Nem sempre é acessível a partir do interior, mas mesmo do exterior a vista é única. É um lugar que merece ser visto pelo menos uma vez na vida, para nos lembrar que a arquitetura também pode ser uma aventura fantástica.
Endereço: Via Marina di Campo, 00054 Fregene RM.