Chama-se Árvore Bioclimática e é, na verdade, um ar condicionado natural: uma estrutura capaz de arrefecer o ar até 10 graus sem consumir um único watt. Sem motor, sem gás refrigerante, sem tomada elétrica. Só água, ar e um princípio milenar que, nos últimos tempos, tem dado muito que falar na cidade.
De onde surgiu a ideia de uma Árvore Bioclimática

Tudo começou com o Jubileu. Por sugestão da professora Wittfrida Mitterer, diretora do Mestrado em Bioarquitetura da LUMSA, surgiu a ideia de ocupar um espaço que estava vazio há séculos: o do edifício projetado por Bernini à entrada da praça, e que nunca chegou a ser construído. Um imponente arco autoportante em bambu teria completado na perfeição o espaço de entrada da Praça de São Pedro, retomando as linhas visuais da Basílica e os volumes das colunatas.
Um princípio físico já utilizado no Antigo Egito

O princípio em que esta obra se baseia chama-se arrefecimento adiabático e não é nada novo: a mesma lógica já arrefecia os palácios do antigo Egito e a Fortaleza da Zisa, em Palermo. Um cilindro de tijolo reciclado é mantido constantemente húmido: a água evapora, absorve calor e devolve um fluxo mais fresco, empurrado para baixo por um pequeno ventilador alimentado por um telhado fotovoltaico.
O capítulo da Termini, por agora encerrado
Foi aqui que o projeto da Árvore Bioclimática de Roma chegou ao grande público: integrado no plano diretor de requalificação da Piazza dei Cinquecento, com um custo estimado de cerca de 500 mil euros. A vereadora do Ambiente, Sabrina Alfonsi, tinha-o definido como «inovador e cativante», e também o presidente da Ordem dos Arquitetos de Roma, Christian Rocchi, tinha sublinhado o seu valor.
No entanto, depois das análises técnicas e económicas, a Câmara Municipal decidiu não avançar: os custos elevados e a escolha de apostar em vegetação real encerraram, pelo menos por agora, o capítulo da Piazza dei Cinquecento.
Para o estúdio que o concebeu, aliás, aquela estrutura não foi pensada para ficar ali.
Uma ideia que continua em aberto e em evolução

O estúdio responsável pelo projeto não considera, no entanto, que isto seja o fim da história. A posição deles é clara: a arquitetura tem de ser sempre pensada para o local específico, e a estrutura criada para São Pedro não seria transferida para outro sítio sem uma revisão aprofundada.
Precisamente porque qualquer grande obra tem de dialogar na perfeição com o espaço à sua volta, os projetistas decidiram não replicar passivamente aquele desenho. A Piazza dei Cinquecento merece o seu próprio ícone de sustentabilidade.
É por isso que a equipa está a trabalhar numa versão pensada especialmente para espaços urbanos já impermeabilizados, capaz de oferecer sombra e refresco com um uso mínimo de materiais. E onde for possível plantar árvores a sério, essa continua a ser a primeira escolha.
Ainda não existe nenhum projeto definitivo: é só uma ideia que, depois deste primeiro capítulo em Roma, pode voltar a aparecer noutro sítio.